sábado, 30 de abril de 2016

Brasileiros no Front. ( Mali )


Da esq. para a dir., o sargento Flamarion Campos, o cabo Marcelo Ramires e o sargento Luciano Paz se preparam para ir ao mali, onde defenderão a França.
ERA CARNAVAL NO BRASIL e, enquanto os foliões seguiam o trio elétrico no famoso circuito Barra/Ondina, em Salvador, do outro lado do Atlântico, mais precisamente na França, o soteropolitano Flamarion Campos, 33 anos, não desgrudava da televisão. Suas atenções se voltavam às notícias que vinham do Mali, o país africano que, desde o início do ano, conta com a ajuda do Exército francês para expulsar terroristas e fundamentalistas islâmicos de seu território. E as informações que chegavam davam conta de novos embates, principalmente em Gao, cidade a 1,2 mil quilômetros da capital Bamako. Helicópteros franceses haviam bombardeado pontos ocupados por extremistas e alguns deles escondiam-se para atacar os soldados de surpresa. Mesmo a quilômetros de distância da guerra, o clima era de pura tensão. Campos, entretanto, não deixava transparecer o nervosismo que pairava no ar. Ele checava o fuzil de assalto Famas com seus 14 carregadores, munidos de 25 cartuchos cada, e uma baioneta – nunca se sabe quando a bala vai acabar –, verificava as granadas presas ao uniforme, ligava o rádio de comunicação e vestia o colete a prova de bala, o capacete e os óculos de visão noturna. O cuidado especial com os equipamentos era mais do que necessário. Campos é sargento no 2o Regimento Estrangeiro de Infantaria da Legião Estrangeira, em Nîmes, cidade no sul da França, a 715 quilômetros de Paris, e, ao lado dos também brasileiros Luciano Paz, 35 anos, e Marcelo Ramires, 35 anos, foi convocado para reforçar o contingente de soldados franceses no país africano. A qualquer momento irão para a linha de frente dos sangrentos combates. “Estou ansioso para desembarcar no Mali”, diz Flamarion à Status.
Cabe, diante da afirmação de um brasileiro louco para ir para o front, uma pergunta: por que lutar uma guerra que não é de seu país natal? O poeta nacionalista francês Pascal Bonetti (1888-1975) tinha essa resposta na ponta da língua. “São estrangeiros filhos da França, não devido ao sangue que receberam, mas pelo sangue que derramaram”, dizia sobre os integrantes da Legião Estrangeira. A tropa foi criada em 1831 pelo rei Louis Philippe para reforçar o Exército francês que lutava para conquistar a Argélia. Ex-combatentes vindos de diversos conflitos pela Europa encontraram refúgio na Legião. Sem família, sem documentos e marcados por guerras passadas, eram vistos como homens mais durões e passíveis de serem engajados em tarefas de alto risco no lugar do Exército francês. Desde então, mais de 35 mil legionários perderam suas vidas pela França.
Atualmente, quase 7,5 mil homens de 150 nacionalidades diferentes vestem esse uniforme. Soldados vindos da América Latina, sobretudo do Brasil, correspondem a 10% do contingente. Mas o maior grupo continua a ser o de voluntários do Leste Europeu, com 18% do total. E a ofensiva no Mali parece ser o grande teste de fogo dos legionários em busca de ação.

O presidente francês, François Hollande, é recebido depois  dos primeiros ataques realizados com aviões como os Mirage (acima).

Desde a guerra contra a independência da Argélia, em meados dos anos 1960, a França não manda tantos soldados para o front – até agora são quatro mil homens. É também a ofensiva mais cara. A operação começou em 11 de janeiro deste ano e já custou mais de 70 milhões de euros aos cofres públicos. Outros 2,7 milhões de euros escorrem diariamente pelo ralo. É bem mais do que o 1,6 milhão por dia que foi empregado na Líbia e o 1,4 milhão gasto no Afeganistão a cada dia de conflito. A entrada da França no Mali, porém, não é puramente humanitária. Há muito mais em jogo. Considerado um dos países mais estáveis da África desde os anos 1990, o Mali foi tomado pela violência após um golpe de Estado, em 22 de março de 2012. Um grupo de militares rebeldes, comandados pelo capitão Amadou Haya Sanogo e autodenominado Comitê Nacional para a Restauração da Democracia e do Estado (CNRDR), derrubou o presidente Amadou Toumani e anunciou em rede nacional a tomada do poder. O novo governo fracassou, o grupo se dividiu e abriu terreno para a entrada dos islamistas. Desmoralizado, o Exército local foi um adversário fácil. Forças islâmicas ligadas à rede Al-Qaeda rapidamente ocuparam o norte do país e já avançavam em direção à capital Bamako quando o Palácio do Eliseu, sede do governo francês em Paris, foi chamado. Aos olhos do presidente socialista francês, François Hollande, a tomada de uma ex-colônia por extremistas significava uma mensagem internacional negativa e uma ameaça à estabilidade da África Ocidental, a porta de entrada para a Europa. Além disso, colocava em risco seus próprios interesses econômicos, principalmente de empresas nacionais como a mineradora Areva e a petrolífera Total. No norte do Mali há valiosas reservas de gás natural e de petróleo. Já o vizinho Níger é o maior fornecedor de urânio para as usinas nucleares francesas, responsáveis por 80% da energia do país. A França, portanto, tinha de agir rapidamente e mandar suas tropas para o ataque.

Um soldado da legião estrangeira com a máscara de uma caveira

Sede de combate
Antes de integrar a Legião Estrangeira, onde está há nove anos, Campos fez parte do corpo de fuzileiros navais do Exército brasileiro por oito anos. Deixou o Brasil porque tinha sede de lutar nos mais longínquos lugares do planeta. “Sei que encontrarei dificuldades no Mali, mas a vontade de lutar é mais forte”, diz ele. Bota dificuldade nisso. Os soldados franceses estão alojados no meio do deserto, em acampamentos provisórios, sem acesso a comunicação. As notícias aos familiares são enviadas por cartas uma vez por semana. Indagado por Status sobre o seu papel nesse cenário, principalmente por ser um estrangeiro, Campos não vacila. Ele tem claro na cabeça que é o braço armado da política francesa, mas não deixa de pensar na importância dessa missão para a população local. “O reforço da Legião também significa a libertação de um povo de um regime da época das cavernas”, diz. Seguindo uma interpretação extrema da Sharia, lei islâmica, rebeldes provocaram graves violações de direitos humanos no Mali, como violência sexual contra as mulheres por não usarem corretamente o véu, amputações de pessoas acusadas de roubo, prisões arbitrárias, tortura e o recrutamento de crianças-soldado. Mais de 150 mil malianos fugiram para países vizinhos.

                                     Uma placa indica que a lei islâmica impera em Tombuctu

Campos participou de duas intervenções francesas na Costa do Marfim e já testemunhou algumas injustiças sofridas pela população nesse tipo de conflito. “Eu, que vim do subúrbio de Salvador, de um bairro muito pobre, fiquei arrasado com a miséria humana quando passei por um campo de refugiados, na fronteira com a Libéria”, lembra. Os soldados franceses são proibidos de distribuir comida e outros objetos por onde passam, por uma questão de segurança. Além do rápido tumulto que pode ser gerado, existe a preocupação de passar a mensagem de que estão no país para garantir a ordem e não para assumir o papel do governo local nas questões sociais – o que não impedia o brasileiro de levar sempre um chocolate no bolso para repartir com as crianças.
Desde o final da Segunda Guerra Mundial, em razão das campanhas contra as independências de suas colônias, a França se especializou em conflitos em países africanos. Em poucos dias de guerra no Mali, as forças francesas retomaram o terreno perdido para os extremistas, como a cidade histórica de Tombuctu, empurrando a linha de frente até Tessalit, na fronteira com a Argélia. “Quando a Legião chega, ou o rebelde corre ou morre. Eles sabem que não podem competir com o poder bélico da França”, diz à Status o sargento Luciano Paz. Não é para menos. De acordo com o Ministério da Defesa da França, foram enviados 12 aviões de combate, cinco aviões petroleiros, cinco aviões de transporte tático, dois drones – os famosos aviões de combate não tripulados – dez helicópteros e mais de 60 veículos blindados. “A população agradece, o comércio reabre as portas e as escolas voltam a funcionar”, diz Paz.

                               Um maliano se pinta com as cores da França para agradecer

Hollande prometeu passar as operações para o Exército maliano já no mês de março, mas dois atentados terroristas em Gao indicam que a presença francesa será prolongada e que o pior ainda está por vir. O porta-voz do grupo islamita Ansar Dine (Defensores do Islã), Senda Ould Boumama, disse que trata-se apenas de uma “retirada tática”. Numa região onde as fronteiras são linhas imaginárias no deserto do Saara, é quase impossível falar em erradicar o radicalismo. É um esconderijo propício para os milhares de insurgentes que contam com armamentos pesados, que transitam livremente pela região após o fim do conflito na Líbia, e que aguardam um novo momento de fraqueza para voltar.
Assim como acontece com os talebans no Afeganistão, o inimigo invisível é o mais temido pelas autoridades locais. Entre as missões do grupo de Luciano Paz está o treinamento do Exército maliano para enfrentar esse tipo de ataque-surpresa. Ex-militar da Brigada Paraquedista, no Rio de Janeiro, essa pode ser sua última guerra com o uniforme francês, após oito anos de serviços prestados. Ele conheceu a Legião em uma missão na fronteira com a Guiana Francesa e viu nela a oportunidade de compensar a falta de futuro dentro do Exército brasileiro. O período máximo que um militar pode servir no Brasil é de nove anos. Apenas os concursados, aqueles que entram como militar de carreira (sargento ou oficial), podem chegar à aposentadoria. Como legionário, ele já participou de destacamentos em Djibouti, República Centro-Africana, Guiana Francesa e Chade. “Tenho muito orgulho de fazer parte desse Exército e sou muito respeitado entre os franceses por isso, mas a Legião não proporciona um futuro financeiro confortável para formar uma família”, explica.

                 A intervenção e as ruínas de um prédio atingido por aviões franceses  

Hoje, a Legião e o Exército francês têm o mesmo nível tático e desempenham quase as mesmas funções. Mas o estatuto pouco mudou desde a época de Louis Philippe. O regulamento da Legião diz que “a despeito de suas situações familiares, os candidatos são considerados solteiros no momento de seu alistamento”. O salário inicial de um soldado de primeira classe é de 1,1 mil euros mensais e pode chegar a 3 mil euros como subtenente. Após 17,5 anos de serviço, o militar pode se aposentar, mas sairá com um benefício médio de 900 euros mensais, o equivalente a R$ 2,3 mil. Além disso, a rotina de treinamentos é pesada. Quase toda semana eles vão para o campo de tiro ou para o “terreno”, como chamam os treinamentos nas montanhas ou no campo. Também fazem muito exercício e marchas longas.

Passaporte confiscado
Anualmente, cerca de 120 brasileiros chegam ao quartel-general de Aubagne, a 17 km de Marseille, para se alistar na Legião Estrangeira. Nem metade sobrevive aos testes físicos e psicológicos. E, quando passam, precisam ainda enfrentar os temidos quatro meses de instrução em Castelnaudary, a sudoeste da França, que terminam com uma marcha que pode chegar a 150 quilômetros, com mochilas de mais de 30 quilos nas costas e temperaturas abaixo de zero. Os recrutas que sobrevivem e conquistam o “képi blanc”, símbolo da Legião, são remanejados para os dez regimentos espalhados pela França, Guiana Francesa, Mayote e Abu Dhabi. A partir daí, suas rotinas se alternam entre estágios e missões no Exterior.
Também ex-fuzileiro naval, Marcelo Ramires, 35 anos, deixou o filho no Brasil pelo sonho de fazer parte dessa tropa de elite e hoje sofre para se adaptar ao rígido sistema. “O militar brasileiro não teme o treinamento, mas sim a saudade de casa”, conta o cabo gaúcho, há quase quatro anos na Legião. Assim que se engaja, o legionário é obrigado a assinar um contrato inicial de, no mínimo, cinco anos. O passaporte é confiscado em troca de uma identidade provisória francesa. Ele tem o direito de recuperar seu verdadeiro nome após três anos de serviço. O passaporte original pode igualmente ser solicitado nas férias, mas o pedido nem sempre é atendido, para impedir deserções. Para driblar esse controle, muitos brasileiros encontraram como saída procurar a Embaixada do Brasil, em Paris, alegando a perda do documento para tirar uma segunda via. “Mesmo assim, para um legionário, a satisfação de participar de guerras históricas como essa compensa qualquer dificuldade”, garante Ramires, que já participou de uma intervenção no Chade e hoje deixa novamente para trás mãe, mulher e filho por seus irmãos de arma entoando o canto da Legião: “Nous allons sac au dos, flingue en main, Faire ensemble le même chemin” (Vamos de mochilas nas costas, armas em mãos, percorrer juntos o mesmo caminho). Um caminho, diga-se de passagem, bem árduo.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Canções da Legião Estrangeira.

La Legion Marche 2REP Légion Etrangère

I

La Légion marche vers le front,
En chantant nous suivons,
Héritiers de ses traditions,
Nous sommes avec elle.

refrain

Nous sommes les hommes des troupes d'assaut,
Soldats de la vieille Légion,
Demain brandissant nos drapeaux,
En vainqueurs nous défilerons,
Nous n'avons pas seulement des armes,
Mais le diable marche avec nous,
Ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, car nos aînés de la Légion,
Se battant là-bas, nous emboîtons le pas.

II

Pour ce destin de chevalier,
Honneur, Fidélité,
Nous sommes fiers d'appartenir
Au 2ème R.E.P.

refrain

_____________________________________________________________

3eREI

Tiens, voilà du boudin, voilà du boudin, voilà du boudin
Pour les Alsaciens, les Suisses et les Lorrains,
pour les Belges y en a plus,
pour les Belges y en a plus,
ce sont des tireurs au cul.
1st sonnerie
Nous sommes des dégourdis,
Nous sommes des lascars
Des types pas ordinaires.
Nous avons souvent notre cafard,
Nous sommes des légionnaires.
1st couplet
Au Tonkin, la Légion immortelle
À Tuyen-Quang illustra notre drapeau,
Héros de Camerone et frères modèles
Dormez en paix dans vos tombeaux.
2nd sonnerie
Nos anciens ont su mourir.
Pour la gloire de la Légion.
Nous saurons bien tous périr
Suivant la tradition.
2nd couplet
Au cours de nos campagnes lointaines,
Affrontant la fièvre et le feu,
Oublions avec nos peines,
La mort qui nous oublie si peu.
Nous la Légion.
 

domingo, 17 de abril de 2016

EUA condecoram brasileiro por resgatar soldados no Afeganistão.

 

As Forças Armadas dos Estados Unidos condecoraram nesta quinta-feira com a Cruz de Serviço Distinto o sargento Felipe Pereira, de nacionalidades brasileira e americana, pelo resgate de vários companheiros em 2010 em uma emboscada no Afeganistão.
A distinção ao sargento do Exército americano premia sua “dedicação e compromisso com o dever” ao salvar a vida de dois de seus companheiros e seu “serviço distinto fundamental para uma bem-sucedida resposta de sua unidade a um ataque letal”, informaram as Forças Armadas em comunicado.
O chefe do Estado-Maior do Exército americano, general Raymond Odierno, entregou a Cruz ao sargento, que se tornou o primeiro integrante de sua divisão com esse reconhecimento. Apesar de ter sofrido ferimentos de estilhaços no pulmão, Pereira recuperou soldados feridos em uma emboscada na província de Kandahar (Afeganistão) em 1º de novembro de 2010. Na ocasião, dois soldados morreram e quatro ficaram gravemente feridos. Além disso, Pereira foi ferido no baço, no fígado e no pulmão.
“Atribui-se a ele ter salvo a vida de dois companheiros enquanto arriscava a sua em múltiplas ocasiões. Pereira não aceitou ser atendido até que todos os feridos foram evacuados”, diz um comunicado oficial das Forças Armadas. A Cruz de Serviço Distinto, um dos maiores reconhecimentos no Exército americano, é concedida por ações extraordinárias e heróicas nas operações militares em que há conflito contra os EUA ou uma força aliada, segundo dados das autoridades do país.(EFE)

quarta-feira, 30 de março de 2016

Legião Estrangeira - França

Nenhuma força de elite está cercada de uma imagem mais romântica e nem foi objeto de tantos enganos e mitos como a Legião Estrangeira francesa. Criada em 1831 para atuar na conquista da Argélia, teve seus primeiros anos conturbados pelas freqüentes guerras contra os árabes, pela indisciplina de seus componentes e pelos conflitos internos. Reformulada em 1835, lutou no norte da África, na Criméia (1854/56), na Itália (1859), na Guerra Franco-Prussiana (1870) e em muitas campanhas coloniais. Teve um papel importante nas duas guerras mundiais, consolidando a sua reputação. Na Primeira Guerra (1914/18) perdeu 115 oficiais e 5.172 legionários e seu Regimento de Marcha foi o mais condecorado do Exército francês. Na Guerra da Indochina, na célebre Batalha de Dien Bien Phu, sete batalhões da Legião foram subjugados pelo Vietminh, sem jamais se renderem. Em seguida atuou mais uma vez na Argélia e na crise do Canal de Suez, no Egito, em 1956. A Legião sempre desempenhou bem o seu papel de defender os interesses da França junto às suas colônias na África, no Pacífico e no Caribe.

 
Em 1988, após uma reestruturação que reduziu drasticamente os efetivos do Exército francês, a Legião ficou reduzida a um quadro de 7.500 homens e teve algumas de suas bases fechadas, embora ainda permaneça como importante unidade estratégica. A Legião é responsável pelo seu próprio programa de recrutamento e treinamento o qual está a cargo do 1º Regimento Estrangeiro, em Aubagne, onde os novos recrutas começam a prestar serviço e do 4° Regimento Estrangeiro, em Casteinaudar, responsável pelo treinamento especializado. As principais unidades de combate são: 1º Regimento Estrangeiro de Cavalaria (1 REC) estacionado em Orange, parte integrante da 6ª Div.Blindada Leve francesa; 2º Regimento Estrangeiro de Infantaria (2 REI), baseado em Nimes, que atuou em várias campanhas nas colônias; 3º Regimento Estrangeiro de Infantaria (3 REI) localizado em Kourou na Guiana Francesa, especializado em operações de guerra na selva e pela segurança do Centro de Lançamento de Foguetes localizado na região; 5º Regimento Estrangeiro (5 RE) responsável pela segurança da área de testes nucleares da França no atol de Mururoa, no Pacífico; e 2º Regimento Estrangeiro de Paraquedistas (2 REP) baseado na ilha de Córsega, uma força de ação rápida especializada em assalto aerotransportado e ações de comandos.

Legionários francese em missão de patrulhaVoluntários vêm de todas as partes do mundo compondo um grupo com mais de cem nacionalidades. Ao se alistarem recebem um apelido e iniciam um treinamento rigoroso durante as três semanas seguintes, onde serão levados aos limites de suas capacidades físicas e psicológicas. Durante o curso podem pedir dispensa por vontade própria ou serem compulsoriamente dispensados, mas se conseguem lograr êxito são obrigados a cumprir mais cinco meses de serviço. O primeiro ano consiste em treinamento no 4º RE, onde é dada grande ênfase ao condicionamento físico e a habilidade no manejo dos mais diversos tipos de armas. Após o curso básico, alguns são selecionados para o treinamento especializado como operador de comunicações, observador avançado, sniper e técnico em explosivos.
Atualmente a Legião Estrangeira existe como uma força de todas as armas, bem organizada e equipada com armamento padronizado do Exército francês. Divide-se em regimentos de dez companhias, algumas especializadas (reconhecimento, morteiros, blindados leves, etc). Destes o mais conhecido é o 2º Regimento Estrangeiro de Pára-quedistas, baseado na Ilha de Córsega, no Mediterrâneo, com quatro companhias de combate, que orgulha-se de poder montar uma operação para qualquer parte do mundo em apenas 24 horas. O uniforme dos legionários segue o padrão das demais unidades francesas, acrescido do famoso quepe azul envolto num pano branco (para proteção contra o sol e a areia do deserto), com a parte de cima vermelha e emblema dourado. Para combate usa-se o camuflado padrão, normalmente com a tradicional boina verde. Entre as armas da unidade destacam-se o fuzil FAMAS F1, de calibre 5.56 mm e a metralhadora FN Minimi, de calibre 5.56 mm. O lema da unidade é: Legio patria nostra ("A Legião, nossa pátria").

terça-feira, 29 de março de 2016

Como se tornar um soldado do Exército Russo


Recentemente, foi anunciado que estrangeiros já podem prestar serviço militar nas Forças Armadas russas. Diante do interesse demonstrado pelos leitores e inúmeras dúvidas sobre o tema, Gazeta Russa decidiu criar um roteiro para aqueles que se sentiram atraídos pela iniciativa.
O decreto que permite acesso de cidadãos estrangeiros às Forças Armadas russas foi assinado pelo presidente russo Vladímir Pútin em 2 de janeiro. A medida introduz apenas uma alteração à lei federal já existente “Sobre a Obrigação Militar do Serviço Militar” que regulamenta, entre outras coisas, o acesso de cidadãos estrangeiros ao serviço militar no Exército russo.

Quem pode prestar serviço militar no Exército russo?
Cidadãos de qualquer país estrangeiro entre 18 e 30 anos, que falem russo (o grau de domínio da língua não foi especificado), e não possuam antecedentes criminais.

Qual a duração do contrato?
O contrato com cidadãos estrangeiros tem validade de 5 anos.

É possível entrar também para as tropas especiais russas?
Os estrangeiros não podem prestar serviço nas tropas do Ministério do Interior, nas unidades do FSB (Serviço Federal de Segurança) nem em outros serviços especiais. A razão é simples: nesses locais teriam acesso a informação militar classificada como “segredo de Estado”.

Qual é a remuneração para estrangeiros no Exército russo?
O salário mensal é de 30.000 rublos (cerca de US$ 430).

Onde os estrangeiros contratados moram?
Os soldados estrangeiros são alojados, durante todo o período de duração do serviço militar, nas bases militares do Exército nacional.

Preciso fazer juramento de bandeira?
Ao contrário dos recrutas e militares russos contratados, os cidadãos estrangeiros não juram fidelidade à Rússia. Em vez do juramento, eles apenas se comprometem a cumprir o seu dever militar.

É possível fazer carreira no Exército russo?
O contratado estrangeiro não pode ter patente acima de soldado (marinheiro) ou sargento. Isto é, não é permitido.

E em caso de guerra?
Estrangeiros podem se envolver em operações de combate em caso de lei marcial, bem como em situações de conflitos armados, desde que em conformidade com os princípios e normas universalmente reconhecidos do direito internacional, os tratados internacionais da Federação Russa e a legislação da Federação Russa. Por isso, existe sempre a probabilidade de o estrangeiro ser enviado para algum ponto de conflito.

E depois?
O soldado estrangeiro obtém acesso ao modo simplificado de obtenção da cidadania russa. Prestar serviço militar no Exército da Rússia permite obter passaporte russo em três anos.

Aonde se dirigir no caso de real interesse?
Segundo o Ministério da Defesa, a admissão dos cidadãos estrangeiros a candidatos ao serviço militar em base de contrato se fundamenta em seus formulários de aplicação, que deverão ser entregues nos comissariados militares das unidades da Federação Russa, e nos documentos que comprovem a legalidade de sua permanência no território da Federação da Rússia (registro de residência, segundo o local de permanência no cartão de identidade de cidadão imigrante). Ou seja, para poder fazer o pedido, você precisa primeiro de ir para a Rússia.
Existe outra maneira: um cidadão estrangeiro pode solicitar autorização para prestar serviço em uma unidade militar russa baseada no exterior.
A seguir, ele terá que enfrentar uma seleção bastante rigorosa: teste das impressões digitais, exame médico e um teste de conhecimento da língua russa. Caso o candidato esteja apto para o serviço militar, ele então realizará testes especiais de seleção psicológica e profissional. Se tudo correr bem e os comandantes das unidades militares aceitarem o candidato, o cidadão estrangeiro será enviado para a unidade militar onde irá prestar serviço.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Legiao Estrangeira Russa

 Descobri recentemente que a Legiao Estrangeira Russa ja esta em funcionamento.Sendo assim,comecei a pensar ainda mais na possibilidade de me alistar daqui alguns anos.Os dois requerimentos basicos sao o dominio satisfatorio da lingua russa e uma ficha sem antecedentes criminais.


Motivaçao intrinseca

Nesse ano meus planos e postura mudaram muito,sendo o factor principal dessa mudança meu desencanto completo com a vida que levo e o meio onde vivo.Nao consigo imaginar-me vivendo no Brasil mais e tenho de decidir os passos para essa saida enquanto sou novo e solteiro.Antes queria ter uma empresa e tentar,atraves dos rendimentos desta,tentar agir de alguma forma em prol da Causa,mas houve uma torçao,estranha ate,pois mesmo tendo todos os conhecimentos para negar esse querer ele ainda estava em minha mente(de repente percebi os fatos,sem graduaçao,dai a torçao).Pagar imposto altissimo pra sustentar o Brasil?Estar sujeito a ficar preso aqui e poder perder todos os bens por qualquer politica daqui?Ter de tolerar leis risiveis?

Sempre fui voltado para o ambito militar,desde pequeno mesmo,lendo revistas do assunto,jogando paintball,ate entrando em minucias sobre armas.Nao quis me alistar no Brasil,claramente por que nem morto eu o apoiaria e,depois,conclui que nem a questao da experiencia tatica e com armas valeria a pena,por que alem de ser ridicula(comparado a outros paises) nao surportaria ter na minha consciencia a memoria de ter servido ao que desprezo. Alem disso,tenho um perfil invulgar por ser frio,nao me atentar aos que estao a minha volta,resistir a solidao e ter uma personalidade solida(por mais que muitos se horrorizem por nem imaginarem que eu consiga viver assim).Muitos camaradas dos foruns ate me aconselham ''esta correto,mas tem que arranjar uma moça,mesmo que nao seja pra casar ou namorar…'',bem eu nao vou mudar,tem que ser pra casar,por isso eu quero me capacitar no que pode ser util a mim e que o casamento restringe( provavelmente tolhe).

Motivaçao extrinsica

A Russia e' um dos poucos paises de maioria europeia que tem uma politica e cultura pro-europeias,o unico imperio europeu restante( <a href="http://www.euroheritage.net/russianethnicrepublicsmap.shtml" target="_blank">European Heritage Library - European history, cultures, historical memory, and European and immigrant identities</a> ).Nao consigo ver outro local melhor,onde possa-se unir forcas e ter a certeza de coloborar efetivamente pela Causa. Muito importante tambem,permanecendo ou nao na Russia apos os 5 anos de serviço,sera a experiencia e tecnica obtidas,sem duvida de grande valia.

Nao sei se ficaria(digo pra nao voltar mais)na Russia caso me aliste e seja selecionado,mas isso cabe a outro tempo.Por agora estou a seguir no meu curso universitario(que pode me ajudar bastante na questao da lingua e primeiros contactos com a Russia);mantendo um habito de treinamento fisico,ainda o maximo que posso e' utilizar equipamentos publicos e fazer o basico em casa;preparando pra no final desse mes ja estar em via de começar um curso de tiro.


Aqui uma das noticias: <a href="http://themoscownews.com/news/20101125/188233351.html" target="_blank">Russia</a>

Pra quem se interessar ou nunca tenha ouvido falar,ai esta.

domingo, 27 de março de 2016

Mercenários brasileiros na Legião Estrangeira.



Atraídos por salários, a chance de apagar o passado e aventuras, dezenas de brazucas alistam-se, todos os anos, no legendário exército de aluguel francês. Nossa repórter conseguiu deles revelações sobre a condição de soldados de um pátria alheia, em missões cujo sentido desconhecem
Maranúbia Barbosa
Brasileiros jovens estão pondo a mochila nas costas e deixando o país para se alistar na Legião Estrangeira — unidade de elite do exército francês, composta por cerca de 7 mil estrangeiros de mais de 130 nacionalidades diferentes. Estima-se que pelo menos cem brasileiros são contratados a cada ano pelo legendário exército que defende os interesses da França mundo afora, sobretudo em áreas conflituosas.
O número exato de brasileiros não é divulgado pela Legião Estrangeira. Porém, de uns cinco anos para ca , a procura tem aumentado, mesmo sabendo que ao vender seus serviços para a França estão se expondo a riscos de morte.
Medo parece não ser problema para os brasileiros e, muito menos, para outros estrangeiros. Todos os anos, mais de 5 mil candidatos do mundo inteiro batem à porta desta composição militar. Mas somente cerca de 800 deles conseguem dar conta de passar pela bateria intensiva de testes físicos e psicotécnicos.
Essas informações são dos próprios legionários, entre os quais o brasileiro Marcos dos Santos, 32 anos. Natural de Itapira (SP), ele serve, há três anos, no 2º Regimento Estrangeiro de Pára-quedistas (REP) — tropa considerada crème de la crème da Legião — em Calvi, cidade na ilha da Córsega. Segundo ele, não são os polpudos salários (que vão de 1,5 mil euros até mais de 5 mil para quem prossegue na carreira), e sim o espírito de aventura, que move a maioria dos soldados. Muitos deles parecem, também, ser guiados por um velho slogan da Legião ainda em voga: "chance de mudar de vida, qualquer que seja a origem, nacionalidade, religião, diplomas, nível escolar, situação familiar ou profissional".
Nenhum candidato é obrigado a fornecer a verdadeira identidade. Incorporado, o legionário passa a ser uma "pessoa não-civil", alguém que não existe juridicamente para o mundoMesmo nos dias atuais, o engajamento na Legião ainda é envolto em lendas e controvérsias. Ao se alistar, o candidato não é obrigado a fornecer a verdadeira identidade e nem relatar nada do que já viveu. Ele tem o anonimato assegurado e é protegido de qualquer ingerência relativa ao seu passado, graças a um decreto-lei francês de 1911. O legionário é juridicamente uma "pessoa não-civil", ou seja, por ser portador de uma identidade fictícia, não existe de fato. Por conseguinte, não pode se casar, nem tirar carteira de motorista, nem comprar imóveis ou veículos. Em suma, o soldado só existe para a Legião Estrangeira. Independente do estado civil, ele é considerado solteiro e sem vínculos familiares. Salvo em raríssimas exceções, ele pode obter a real identidade antes do término do contrato.


Engajados por um período compulsório de cinco anos, sem nenhum direito a desistência antes do prazo, os legionários estão sujeitos a uma disciplina severa dentro e fora da caserna. Prisão por deserção, tolerância zero para toda e qualquer falta, tratamento rude — "na porrada" mesmo, segundo Santos. Essas são só algumas das condições aceitas sem pestanejar por estrangeiros que salvaguardam os interesses de uma das sete potências mundiais e que cumprem sem titubear as letras miúdas do contrato. Esse, diga-se de passagem, é assinado logo de cara, na primeira semana, mesmo por aqueles que não falam uma só palavra da língua francesa. "Assinamos um papel atrás do outro, sem tradutor nem nada. A gente entrega a vida para eles no ato" , afirmou Santos.
Uma investigação minuciosa impede o recrutamento de condenados por crimes comuns, apesar de que "delitos leves" são relevados. Não existe, no entanto, definição do que a Legião Estrangeira entende por delitos de pouca importância. Pelo código da unidade, terroristas e demais criminosos procurados pela Interpol não são aceitos em nenhuma hipótese.


Asiáticos, europeus do leste e latino-americanos (com destaque para os brasileiros) somam 70% da Legião Estrangeira. Franceses mesmo, só 19%A maior parte dos legionários, cerca de 70%, vem de países que não falam francês. Em 2005, dos 900 novos engajados, 32% eram de eslavos provenientes do Leste europeu, sobretudo da Romênia, Rússia e ex-repúblicas soviéticas. Em seguida, vieram os latino-americanos, 24,5%, com destaque disparado para o Brasil. Soldados de nacionalidade francesa ou originários de ex-colônias somaram 19%. Os asiáticos, especialmente os chineses, são numerosos.
Além dos benefícios trabalhistas, sociais (férias, seguro-saúde e conta em banco, por exemplo) e toda a documentação concedida por um país conhecido por respeitar os direitos do homem, eles ainda podem requerer a cidadania francesa ao cabo dos cinco anos de serviço. O direito é assegurado por lei, bastando para isso apresentar um atestado de boa conduta expedido por um comandante da Legião Estrangeira às autoridades competentes.
Os legionários recebem seus vencimentos quase que totalmente livres de despesas. As refeições feitas no quartel são gratuitas de segunda a sexta-feira, e nos finais de semana pagas à parte (cerca de 4 euros – cerca de 10 reais). Aos salários iniciais, em torno de mil euros para quem serve no continente e de 1,5 mil para os alojados na ilha da Córsega, juntam-se os prêmios e bonificações pagos, quando os soldados partem em missões fora do território francês. Conforme o caso, os soldos podem até triplicar.
A reportagem tentou por diversas vezes contato por telefone e email com um dos quartéis da Legião Estrangeira na região de Paris, mas não foi atendida.


Desde que ingressou nas fileiras da Legião Estrangeira, em maio de 2005, o ex-piloto de helicóptero Marcos dos Santos já partiu em missões de prevenção em países como o Djibuti e Costa do Marfim (na África), e Nova Caledônia, possessão francesa na Oceania. Segundo Santos, os legionários recebem as instruções sobre o que vão fazer poucos dias antes do embarque. As missões duram de três a quatro meses.
Viajar sem conhecer o país de destino, os problemas lá vividos ou os interesses da França no local não é problema. "Somos mercenários", afirma legionário brasileiroSantos disse que o fato de viajar às cegas, sem conhecer com detalhes os problemas políticos e sociais dos países para onde é mandado, sem entender bem porque a França envia tropas para lá, fere sua ética, mas não chega a lhe tirar o sono, e pelo jeito nem o bom humor. "Somos mercenários, esqueceu?", comentou, rindo.
Santos deixou uma vida financeira e profissional estável no Brasil e desembarcou no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, indo direto ao quartel Fort Nogent, em Fontenay sous Bois, cidade na periferia leste da capital francesa. Tinha a frase em francês decorada na ponta da língua: "Eu quero me alistar na Legião Estrangeira". Ele passou por exames médicos e psicotécnicos durante uma semana. "Eles querem ver se o sujeito é muito retardado", satirizou.
Na Legião, Santos, divorciado e pai de um menino de oito anos, teve mantida a nacionalidade brasileira, mas ganhou outra identidade: Roberto da Silva, literalmente seu nome de guerra. Depois da pré-seleção, foi levado para o quartel de Castelnaudary, na cidade de Aubagne, sul da França, onde ficou quatro meses sendo submetido, continuamente, a uma série de rigorosos testes físicos e psicológicos.
O legionário disse que a experiência em Aubagne beirou os limites do suportável. Conforme Santos, quem não tem muita estrutura emocional "bate os pinos cedo". A pressão a que são submetidos é intensa, relatou. "Assim que chega, a gente é obrigado a aprender os hinos e o código de honra da Legião em francês, repetindo as frases como papagaio, sem saber o que está cantando, como numa lavagem cerebral. E debaixo de pontapé". Santos contou também que o candidato que não decora direito as letras do hinário é obrigado a passar a noite fazendo flexões e lavando banheiro.


Nos finais de semana, folga e direito de ir à cidade. Mas nada de discotecas, baladas com mulheres ou bares mal-afamados. "Somos controlados. Temos que ter um comportamento exemplar"Dono de uma saúde perfeita, Santos pôde se dar ao luxo de escolher onde iria servir na Legião. E ele escolheu justamente o regimento mais difícil — o dos paraquedistas, os mais expostos em situações de combate. "Eu sabia que era ralação, mas quis assim mesmo. Por aventura. Verdade mesmo" , garantiu, sério.
A rotina na ilha da Córsega, contou Santos, se resume a fazer faxina, cuidar das fardas, lustrar botas, praticar exercícios físicos e estar sempre "ligado", pronto para ser chamado a qualquer hora do dia ou da noite. Nos finais de semana, impecavelmente uniformizados, os legionários são liberados para ir à cidade, apesar de que nem tudo o que diz respeito à vida mundana é permitido. Nada de discoteca, de baladas com mulheres ou bares mal afamados. "Somos controlados. Temos que ter um comportamento exemplar" , acrescentou.
Ainda que convicto do que faz, Santos não recomenda a ninguém o alistamento. "Não me arrependo. Queria conhecer o mundo, me aventurar. Ninguém morre antes da hora. O que não posso fazer é enganar os que querem vir, dizer que isso aqui é fácil. Eu mesmo não sei te falar se vou agüentar até o fim. Tem uns caras que não suportam e caem fora", alertou. O legionário disse que não sabe se vai pedir a cidadania francesa. "Não faço planos", concluiu.
Caso fique até o final do contrato, que termina em dois anos, Santos pode trazer para casa, por baixo, mais de 50 mil euros. Para isso, além de economizar, ele ainda tem que sair ileso de missões em países como o Gabão, Afeganistão, Kosovo ou qualquer outro lugar do mundo onde estoure um conflito que afete a França.



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