domingo, 8 de maio de 2016

Onde se Engajar ? - Où s'engager et s'informer ?

Locais para se Alistar na Legião Estrangeira Francesa.

Centre de Présélection - Aubagne
  Centre de présélection - Aubagne Quartier Vienot - Route départementale 2B.P. 11 35413 784 AUBAGNE CedexTel : (33) 04 42 18 12 57Ouverture : 24H/24, 7J/7
Réf : 24 | Mise à jour : 30-05-2013
Centre de présélection Paris Nogent - Paris Vincennes
  Informations seules: Poste Légion étrangère de VincennesFort Neuf de VincennesBoulevard des Maréchaux94300 VINCENNESOuverture : 24H/24, 7J/7Engagement : Centre de
Réf : 23 | Mise à jour : 23-05-2013
Poste d'information de Lille
  Poste d'information de la Légion étrangère - Lille  Caserne NégrierRue Princesse59 000 LILLE arméesTel : (33) 03 28 36 08 72Ouverture : 24H/24,
Réf : 22 | Mise à jour : 23-05-2013
Poste d'information de Nantes
  Poste d'information de la Légion étrangère - Nantes  Quartier Richemont16 rue des Rochettes44013 NANTES cedex 1Tel : (33) 02 28 24 20 70Ouverture : 24H/24, 7J/7
Réf : 21 | Mise à jour : 23-05-2013
Poste d'information de Strasbourg
  Poste d'information de la Légion étrangère - Strasbourg  Quartier Lecourbe1, rue d'Ostende67 000 STRASBOURGTel : (33) 03 88 61 53 33Ouverture : 24H/24,
Réf : 20 | Mise à jour : 23-05-2013
Poste d'information de Bordeaux
  Poste d'information de la Légion étrangère - Bordeaux  260, rue Pelleport33800 BORDEAUXTel : (33) 05 56 92 99 64Ouverture : 24H/24, 7J/7   mail :
Réf : 19 | Mise à jour : 23-05-2013
Poste d'information de Lyon
  Poste d'information de la Légion étrangère - Lyon  26 avenue LeclercQuartier général Frère69998 LYON arméesTel : (33) 04 37 27 26 50Fax :
Réf : 18 | Mise à jour : 23-05-2013
Poste d'information de Marseille
  Poste d'information de la Légion étrangère - Marseille  28, rue des Catalans13007 MARSEILLETel: 04 13 59 47 22 / 06 72 14 77 78 MAIL :
Réf : 17 | Mise à jour : 23-05-2013
Poste d'information de Nice
  Poste d'information de la Légion étrangère - Nice  Caserne Filley2 rue Sincaire06300 NICETel : (33) 04 93 80 59 06Ouverture : 24H/24, 7J/7   Mail :
Réf : 16 | Mise à jour : 23-05-2013
Poste d'information de Perpignan
 Poste d'information de la Légion étrangère - Perpignan  Caserne JoffreRue Jean VieilledentBP 91766 020 PERPIGNANTel : (33) 04 68 08 22 81Ouverture : 24H/24,
Réf : 15 | Mise à jour : 23-05-2013
Poste d'information de Toulouse
Poste d'information de la Légion étrangèren - Toulouse  2 rue Pérignon, BP 65028 31 000 TOULOUSE cedex Tel : (33) 05 61 54 21 95 Fax : 05 61 54 21
Réf : 14 | Mise à jour : 23-05-2013

Legião Estrangeira – Força confiável

Comemoração da Batalha de Cámeron

. Um único Chefe, o Presidente Francês desde que democráticamente eleito
Com início de suas atividades no século XIX, a Legião Estrangeira Francesa é um dos mais antigos contingentes de soldados da Europa e o mais tradicional grupo de combate do Velho Continente.
Seu objetivo inicial foi sobrepor os interesses franceses contra os países que tentavam dominar as colônias francas na África, assim como evitar rebeliões de independência nestas nações.
Além disso, tinham a função de manter a colonização em locais como o Oceano Pacífico, América do Sul e Caribe.
A Primeira Legião formou-se no ano de 1831, quando toda a Europa passava por um período turbulento. Após o rei Carlos X da França ser deposto, suas tropas passaram para o comando de Luís Filipe I de França, que transformou-as na Legião Estrangeira Francesa após um decreto oficial feito no dia 10 de março de 1831.
Então foram reunidas diversas tropas estrangeiras do Exército da França, entre elas as Guardas Suíças e o Regimento Hohenlohe, uma unidade de soldados estrangeiros.
Estes dois grupos formaram o primeiro batalhão. Já o segundo e o terceiro batalhão foram formados para receber suíços e alemães. No quarto batalhão eram os espanhóis e portugueses que empunhavam as armas, no quinto, os sardos e italianos, no sexto, os belgas e, no sétimo, os polacos.
Em 1832 deu-se o batismo de fogo da Legião Estrangeira Francesa. No dia 27 de abril daquele ano, o terceiro batalhão entrou efetivamente em ação na Argélia, iniciando as operações militares do grupo.
Oito meses depois, a Legião Estrangeira Francesa enfrentou os homens de Adl El-Kader, que lutavam pela liberdade argeliana. Esse confronto ficou conhecido como batalha de Sidi-Chabal.

Soldados da Legião
Soldados da Legião

Entre 1835 e 1839, o ministro francês Adolphe Thiers persuadiu o governo de seu país a enviar a Legião à Espanha com o objetivo de auxiliar a Rainha Isabel II de Espanha na Guerra Carlista.
Com a autorização do rei Luís Filipe, a Legião rumou para o país, onde combateu sem nenhum reforço até 1839, ano em que a Rainha deu licença aos soldados que ainda estavam vivos.
Em 1835 surge a Nova Legião Estrangeira Francesa, criada também pelo rei francês Luís Filipe. Neste novo grupo, havia três batalhões que continuavam sustentando as operações dos soldados franceses na Argélia.

Brasão de Armas da Legião
Brasão de Armas da Legião.

Desta forma, outros batalhões foram surgindo e os soldados eram coordenados de acordo com as necessidades dos comandantes e as novas guerras que iam aparecendo.
Outros exemplos de conflitos em que a Legião Estrangeira Francesa participou são: A Guerra da Criméia (1853-1856), A campanha da Itália (1859), A campanha do México (1863-1866), A Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), O Protetorado de Tonkin (1883-1885), A batalha de Dien Bien Phu (1954), entre outros.
Para participar da Legião Estrangeira Francesa o candidato precisa ser do sexo masculino; ter entre dezessete e quarenta anos, portar um documento de identidade válido internacionalmente, ou seja, um passaporte válido, ser solteiro; e ser alfabetizado no seu país (idioma) de origem.

Comemoração da Batalha de Cámeron
Comemoração da Batalha de Cámeron

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Legião Estrangeira - Videos

O lema da Legião é: "Legio Patria Nostra" (A Legião é nossa pátria).





O Código de Honra do Legionário

O treinamento de um legionário tem como base um código de honra próprio:
  1. Legionário, tu és um voluntário, servindo a França com honra e lealdade.
  2. Cada legionário é teu irmão de arma seja qual for a sua nacionalidade, a sua raça, a sua religião. Tu manifestas sempre a estreita solidariedade que deve unir os membros de uma mesma família.
  3. Respeitador das tradições, fiel aos teus chefes, a disciplina e camaradagem são a tua força, o valor e a lealdade tuas virtudes.
  4. Fiel ao teu estado de legionário, tu o mostras na tua farda sempre elegante, teu comportamento sempre digno mas modesto, teu aquartelamento sempre limpo.
  5. Soldado de elite, tu treinas com rigor, cuida da tua arma como o teu bem mais precioso, cuida permanentemente da tua forma física.
  6. A missão é sagrada. Tu a executas até ao fim, a qualquer preço.
  7. No combate, tu ages sem paixão e sem ódio, tu respeitas os inimigos vencidos, nunca abandonas nem os teus mortos, nem os teus feridos, nem as tuas armas.
O item 6 do código de honra do legionário foi recentemente mudado: onde a versão primitiva afirmava "a tout prix" ("a qualquer preço"), a nova versão afirma "no respeito das leis, dos costumes da guerra, das convenções internacionais e se for necessário, ao perigo da tua vida". Esta versão foi introduzida para evitar interpretações errôneas do artigo, já que a Legião participa atualmente de inúmeras missões humanitárias, juntamente com a ONU.
Ao longo da história da Legião, muitos homens têm-se alistado por diversas razões, na maior parte das vezes porque não têm para onde ir. Como nobres falidos, criminosos ou soldados profissionais que preferiam combater, eram aceitos. Sob determinadas circunstâncias até lhes eram oferecidas novas identidades. Na sua maioria mantiveram os nomes, mas é uma questão de honra nunca comentar o passado de um Legionário.
Uma vez na Legião, os recrutas aprendem além da disciplina e das técnicas de combate que só podem contar consigo próprios durante os cinco anos do contrato inicial. Sempre lhe foram atribuídas as missões mais duras do Exército francês; sabem que não existem enquanto indivíduos e que são dispensáveis; não têm para onde ir e nem nada a perder; por essas razões lutam até ao último homem.
Hoje em dia os recrutas são objeto de investigação para garantir que não se alistem para fugir da justiça por crimes graves. Os infratores menores podem por vezes ser aceitos. Pela lei francesa, a Legião Estrangeira pode negar a existência de qualquer indivíduo a seu serviço e, quem denunciar a verdadeira identidade de um legionário, é incriminado segundo o Código Penal francês.

Perguntas Frequentes. ( Foire aux questions )


É obrigatório se engajar sob identidade declarada?

Não
Em tempo de paz, ninguém pode se engajar com estatuto estrangeiro(identidade declarada)
° Candidato com menos de 17anos e mais de 40anos
° Candidato sem documento de emancipação
° Candidato sem as aptidões exigidas para o posto e função
Sem este controle de validade de documentos o General Comandante da LEGIAO ESTRANGEIRA por uma delegação do Ministro da defesa pode autorizar um contrato sob a forma de identidade declarada.

Podemos, eventualmente, obter a sua verdadeira identidade?

SIM
Quando o militar servindo a título estrangeiro com uma identidade declarada e apresenta os documentos provando a sua verdadeira identidade pode regularizar a sua situação e servir com a sua verdadeira identidade a título estrangeiro.
Para regularização da situação militar o candidato deve apresentar os documentos oficiais necessários para a administração francesa
Normalmente esta regularização começa no fim da formação inicial e deve terminar, em todos os casos, antes de um ano de serviço.

Quais são os documentos que preciso para o recrutamento ?

A apresentação de toda a identificação (válida) do candidato produzida pelo país de origem é solicitada para facilitar o processo de seleção e recrutamento (registro de identidade, passaporte, carta de motorista, diplomas status ...).
Em todos os casos, certidão de nascimento com filiação será necessária antes do final do primeiro ano do contrato.

Um legionário estrangeiro pode ter cidadania francesa?

Sim, um legionário estrangeiro poderá requerer a cidadania francesa a partir de três anos de serviço.
Ela geralmente é concedida, sob condição de bom comportamento e mediante uma prova de boa vontade de integração à nação francesa.
O legionário que não deseja optar por nacionalidade francesa mantém sua nacionalidade estrangeira ,tanto para ficar em França, no final de seu contrato e, uma vez em posse de uma autorização de residência.
A obtenção de um título de residência é automática após a obtenção do "certificado de boa conduta", emitido pelo comando da Legião Estrangeira para cada legionário ao deixar o serviço ativo.
Além disso, o legionário ferido em operação pode adquirir, de direito, nacionalidade francesa (lei chamada de "o sangue derramado").

A Legião é mais rígido do que outros exércitos?

O regulamento da Legião Estrangeira é muito mais difícil do que no exército francês?
Não, os regulamentos disciplinares gerais em vigor dentro das unidades da Legião Estrangeira são exatamente os mesmos que os do exército francês e apenas o estatuto do pessoal servindo na Legião Estrangeira é diferente.
No entanto, apesar de o regulamento disciplinar e geral ser idêntico ao do Exército Francês, também é verdade que o longo e glorioso passado, o nível operacional e a excelência que caracterizam a Legião atualmente impõem aos seus homens uma série de obrigações.

Quais são as restrições específicas ?

Uso de roupas civis: todo legionário – independentemente do tempo de serviço dentro da Legião - é autorizado a usar roupas civis fora dos limites de sua guarnição. No entanto, um legionário que ainda não completou cinco anos de Serviço deve sair fardado dentro dos limites da sua guarnição.
Aquisição de um veículo motorizado: munido de uma carta de motorista correspondente à categoria do veículo em questão, um legionário que deseja adquirir um veículo motorizado deve ter concluído, pelo menos, cinco anos de serviço e ter "regularizada sua situação militar".
Casamento: um legionário será autorizado a casar só depois de estar em ordem com as seguintes condições:
• servir sob a sua verdadeira identidade (ter regularizada situação militar)
• ter informado o comando
• ter 5 anos de serviço: autorização do Ministro da Defesa

Durante minhas férias, poderei ir para o estrangeiro?

Sim, sob certas condições.

Para ser autorizado a viajar para o exterior, seja ao seu país de origem ou num outro país , legionário deve ter documento de identidade de seu país, servir sob sua verdadeira identidade e ter " situação regularizada militar "
Ele terá de obter a permissão do comando. Alguns destinos são, porém, submetidos a restrições "de precaução".

Existem locais de acolhimento para legionários?

Existem locais de acolhimento para legionários que desejam passar suas férias na França?
O legionário que, em contrapartida, não quer ir para o estrangeiro, obviamente, pode passar as suas permissões na França.
Estruturas à beira-mar, como o centro de licença da Legião Estrangeira de Malmousque, localizado em Marselha e o centro de hospedagem da Legião Estrangeira, localizado em La Ciotat (o C.H.A.L.E, a 30km ao leste de Marselha) podem acomodar esses legionários de licença em notáveis ​​condições de conforto e tarifas preferenciais.

Eu nunca Servi o exército, posso me engajar?

Posso entrar na Legião Estrangeira sem nunca ter sido militar ?
Muitos voluntários que se juntaram às fileiras da Legião Estrangeira nunca serviram o exército de seu país de origem. Este não é um obstáculo para o recrutamento.
A motivação do candidato é determinante.

Um francês pode se engajar na Legião Estrangeira?

Sim, um francês pode se engajar na Legião Estrangeira, mas vai ser contratado sob o status de militar estrangeiro, como todos os estrangeiros que se inscrevem
Este estatuto é diferente da lei em vigor no exército francês.
O candidato de nacionalidade francesa será recrutado sob sua verdadeira identidade ou como uma identidade declarada.

 


sábado, 30 de abril de 2016

Brasileiros no Front. ( Mali )


Da esq. para a dir., o sargento Flamarion Campos, o cabo Marcelo Ramires e o sargento Luciano Paz se preparam para ir ao mali, onde defenderão a França.
ERA CARNAVAL NO BRASIL e, enquanto os foliões seguiam o trio elétrico no famoso circuito Barra/Ondina, em Salvador, do outro lado do Atlântico, mais precisamente na França, o soteropolitano Flamarion Campos, 33 anos, não desgrudava da televisão. Suas atenções se voltavam às notícias que vinham do Mali, o país africano que, desde o início do ano, conta com a ajuda do Exército francês para expulsar terroristas e fundamentalistas islâmicos de seu território. E as informações que chegavam davam conta de novos embates, principalmente em Gao, cidade a 1,2 mil quilômetros da capital Bamako. Helicópteros franceses haviam bombardeado pontos ocupados por extremistas e alguns deles escondiam-se para atacar os soldados de surpresa. Mesmo a quilômetros de distância da guerra, o clima era de pura tensão. Campos, entretanto, não deixava transparecer o nervosismo que pairava no ar. Ele checava o fuzil de assalto Famas com seus 14 carregadores, munidos de 25 cartuchos cada, e uma baioneta – nunca se sabe quando a bala vai acabar –, verificava as granadas presas ao uniforme, ligava o rádio de comunicação e vestia o colete a prova de bala, o capacete e os óculos de visão noturna. O cuidado especial com os equipamentos era mais do que necessário. Campos é sargento no 2o Regimento Estrangeiro de Infantaria da Legião Estrangeira, em Nîmes, cidade no sul da França, a 715 quilômetros de Paris, e, ao lado dos também brasileiros Luciano Paz, 35 anos, e Marcelo Ramires, 35 anos, foi convocado para reforçar o contingente de soldados franceses no país africano. A qualquer momento irão para a linha de frente dos sangrentos combates. “Estou ansioso para desembarcar no Mali”, diz Flamarion à Status.
Cabe, diante da afirmação de um brasileiro louco para ir para o front, uma pergunta: por que lutar uma guerra que não é de seu país natal? O poeta nacionalista francês Pascal Bonetti (1888-1975) tinha essa resposta na ponta da língua. “São estrangeiros filhos da França, não devido ao sangue que receberam, mas pelo sangue que derramaram”, dizia sobre os integrantes da Legião Estrangeira. A tropa foi criada em 1831 pelo rei Louis Philippe para reforçar o Exército francês que lutava para conquistar a Argélia. Ex-combatentes vindos de diversos conflitos pela Europa encontraram refúgio na Legião. Sem família, sem documentos e marcados por guerras passadas, eram vistos como homens mais durões e passíveis de serem engajados em tarefas de alto risco no lugar do Exército francês. Desde então, mais de 35 mil legionários perderam suas vidas pela França.
Atualmente, quase 7,5 mil homens de 150 nacionalidades diferentes vestem esse uniforme. Soldados vindos da América Latina, sobretudo do Brasil, correspondem a 10% do contingente. Mas o maior grupo continua a ser o de voluntários do Leste Europeu, com 18% do total. E a ofensiva no Mali parece ser o grande teste de fogo dos legionários em busca de ação.

O presidente francês, François Hollande, é recebido depois  dos primeiros ataques realizados com aviões como os Mirage (acima).

Desde a guerra contra a independência da Argélia, em meados dos anos 1960, a França não manda tantos soldados para o front – até agora são quatro mil homens. É também a ofensiva mais cara. A operação começou em 11 de janeiro deste ano e já custou mais de 70 milhões de euros aos cofres públicos. Outros 2,7 milhões de euros escorrem diariamente pelo ralo. É bem mais do que o 1,6 milhão por dia que foi empregado na Líbia e o 1,4 milhão gasto no Afeganistão a cada dia de conflito. A entrada da França no Mali, porém, não é puramente humanitária. Há muito mais em jogo. Considerado um dos países mais estáveis da África desde os anos 1990, o Mali foi tomado pela violência após um golpe de Estado, em 22 de março de 2012. Um grupo de militares rebeldes, comandados pelo capitão Amadou Haya Sanogo e autodenominado Comitê Nacional para a Restauração da Democracia e do Estado (CNRDR), derrubou o presidente Amadou Toumani e anunciou em rede nacional a tomada do poder. O novo governo fracassou, o grupo se dividiu e abriu terreno para a entrada dos islamistas. Desmoralizado, o Exército local foi um adversário fácil. Forças islâmicas ligadas à rede Al-Qaeda rapidamente ocuparam o norte do país e já avançavam em direção à capital Bamako quando o Palácio do Eliseu, sede do governo francês em Paris, foi chamado. Aos olhos do presidente socialista francês, François Hollande, a tomada de uma ex-colônia por extremistas significava uma mensagem internacional negativa e uma ameaça à estabilidade da África Ocidental, a porta de entrada para a Europa. Além disso, colocava em risco seus próprios interesses econômicos, principalmente de empresas nacionais como a mineradora Areva e a petrolífera Total. No norte do Mali há valiosas reservas de gás natural e de petróleo. Já o vizinho Níger é o maior fornecedor de urânio para as usinas nucleares francesas, responsáveis por 80% da energia do país. A França, portanto, tinha de agir rapidamente e mandar suas tropas para o ataque.

Um soldado da legião estrangeira com a máscara de uma caveira

Sede de combate
Antes de integrar a Legião Estrangeira, onde está há nove anos, Campos fez parte do corpo de fuzileiros navais do Exército brasileiro por oito anos. Deixou o Brasil porque tinha sede de lutar nos mais longínquos lugares do planeta. “Sei que encontrarei dificuldades no Mali, mas a vontade de lutar é mais forte”, diz ele. Bota dificuldade nisso. Os soldados franceses estão alojados no meio do deserto, em acampamentos provisórios, sem acesso a comunicação. As notícias aos familiares são enviadas por cartas uma vez por semana. Indagado por Status sobre o seu papel nesse cenário, principalmente por ser um estrangeiro, Campos não vacila. Ele tem claro na cabeça que é o braço armado da política francesa, mas não deixa de pensar na importância dessa missão para a população local. “O reforço da Legião também significa a libertação de um povo de um regime da época das cavernas”, diz. Seguindo uma interpretação extrema da Sharia, lei islâmica, rebeldes provocaram graves violações de direitos humanos no Mali, como violência sexual contra as mulheres por não usarem corretamente o véu, amputações de pessoas acusadas de roubo, prisões arbitrárias, tortura e o recrutamento de crianças-soldado. Mais de 150 mil malianos fugiram para países vizinhos.

                                     Uma placa indica que a lei islâmica impera em Tombuctu

Campos participou de duas intervenções francesas na Costa do Marfim e já testemunhou algumas injustiças sofridas pela população nesse tipo de conflito. “Eu, que vim do subúrbio de Salvador, de um bairro muito pobre, fiquei arrasado com a miséria humana quando passei por um campo de refugiados, na fronteira com a Libéria”, lembra. Os soldados franceses são proibidos de distribuir comida e outros objetos por onde passam, por uma questão de segurança. Além do rápido tumulto que pode ser gerado, existe a preocupação de passar a mensagem de que estão no país para garantir a ordem e não para assumir o papel do governo local nas questões sociais – o que não impedia o brasileiro de levar sempre um chocolate no bolso para repartir com as crianças.
Desde o final da Segunda Guerra Mundial, em razão das campanhas contra as independências de suas colônias, a França se especializou em conflitos em países africanos. Em poucos dias de guerra no Mali, as forças francesas retomaram o terreno perdido para os extremistas, como a cidade histórica de Tombuctu, empurrando a linha de frente até Tessalit, na fronteira com a Argélia. “Quando a Legião chega, ou o rebelde corre ou morre. Eles sabem que não podem competir com o poder bélico da França”, diz à Status o sargento Luciano Paz. Não é para menos. De acordo com o Ministério da Defesa da França, foram enviados 12 aviões de combate, cinco aviões petroleiros, cinco aviões de transporte tático, dois drones – os famosos aviões de combate não tripulados – dez helicópteros e mais de 60 veículos blindados. “A população agradece, o comércio reabre as portas e as escolas voltam a funcionar”, diz Paz.

                               Um maliano se pinta com as cores da França para agradecer

Hollande prometeu passar as operações para o Exército maliano já no mês de março, mas dois atentados terroristas em Gao indicam que a presença francesa será prolongada e que o pior ainda está por vir. O porta-voz do grupo islamita Ansar Dine (Defensores do Islã), Senda Ould Boumama, disse que trata-se apenas de uma “retirada tática”. Numa região onde as fronteiras são linhas imaginárias no deserto do Saara, é quase impossível falar em erradicar o radicalismo. É um esconderijo propício para os milhares de insurgentes que contam com armamentos pesados, que transitam livremente pela região após o fim do conflito na Líbia, e que aguardam um novo momento de fraqueza para voltar.
Assim como acontece com os talebans no Afeganistão, o inimigo invisível é o mais temido pelas autoridades locais. Entre as missões do grupo de Luciano Paz está o treinamento do Exército maliano para enfrentar esse tipo de ataque-surpresa. Ex-militar da Brigada Paraquedista, no Rio de Janeiro, essa pode ser sua última guerra com o uniforme francês, após oito anos de serviços prestados. Ele conheceu a Legião em uma missão na fronteira com a Guiana Francesa e viu nela a oportunidade de compensar a falta de futuro dentro do Exército brasileiro. O período máximo que um militar pode servir no Brasil é de nove anos. Apenas os concursados, aqueles que entram como militar de carreira (sargento ou oficial), podem chegar à aposentadoria. Como legionário, ele já participou de destacamentos em Djibouti, República Centro-Africana, Guiana Francesa e Chade. “Tenho muito orgulho de fazer parte desse Exército e sou muito respeitado entre os franceses por isso, mas a Legião não proporciona um futuro financeiro confortável para formar uma família”, explica.

                 A intervenção e as ruínas de um prédio atingido por aviões franceses  

Hoje, a Legião e o Exército francês têm o mesmo nível tático e desempenham quase as mesmas funções. Mas o estatuto pouco mudou desde a época de Louis Philippe. O regulamento da Legião diz que “a despeito de suas situações familiares, os candidatos são considerados solteiros no momento de seu alistamento”. O salário inicial de um soldado de primeira classe é de 1,1 mil euros mensais e pode chegar a 3 mil euros como subtenente. Após 17,5 anos de serviço, o militar pode se aposentar, mas sairá com um benefício médio de 900 euros mensais, o equivalente a R$ 2,3 mil. Além disso, a rotina de treinamentos é pesada. Quase toda semana eles vão para o campo de tiro ou para o “terreno”, como chamam os treinamentos nas montanhas ou no campo. Também fazem muito exercício e marchas longas.

Passaporte confiscado
Anualmente, cerca de 120 brasileiros chegam ao quartel-general de Aubagne, a 17 km de Marseille, para se alistar na Legião Estrangeira. Nem metade sobrevive aos testes físicos e psicológicos. E, quando passam, precisam ainda enfrentar os temidos quatro meses de instrução em Castelnaudary, a sudoeste da França, que terminam com uma marcha que pode chegar a 150 quilômetros, com mochilas de mais de 30 quilos nas costas e temperaturas abaixo de zero. Os recrutas que sobrevivem e conquistam o “képi blanc”, símbolo da Legião, são remanejados para os dez regimentos espalhados pela França, Guiana Francesa, Mayote e Abu Dhabi. A partir daí, suas rotinas se alternam entre estágios e missões no Exterior.
Também ex-fuzileiro naval, Marcelo Ramires, 35 anos, deixou o filho no Brasil pelo sonho de fazer parte dessa tropa de elite e hoje sofre para se adaptar ao rígido sistema. “O militar brasileiro não teme o treinamento, mas sim a saudade de casa”, conta o cabo gaúcho, há quase quatro anos na Legião. Assim que se engaja, o legionário é obrigado a assinar um contrato inicial de, no mínimo, cinco anos. O passaporte é confiscado em troca de uma identidade provisória francesa. Ele tem o direito de recuperar seu verdadeiro nome após três anos de serviço. O passaporte original pode igualmente ser solicitado nas férias, mas o pedido nem sempre é atendido, para impedir deserções. Para driblar esse controle, muitos brasileiros encontraram como saída procurar a Embaixada do Brasil, em Paris, alegando a perda do documento para tirar uma segunda via. “Mesmo assim, para um legionário, a satisfação de participar de guerras históricas como essa compensa qualquer dificuldade”, garante Ramires, que já participou de uma intervenção no Chade e hoje deixa novamente para trás mãe, mulher e filho por seus irmãos de arma entoando o canto da Legião: “Nous allons sac au dos, flingue en main, Faire ensemble le même chemin” (Vamos de mochilas nas costas, armas em mãos, percorrer juntos o mesmo caminho). Um caminho, diga-se de passagem, bem árduo.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Canções da Legião Estrangeira.

La Legion Marche 2REP Légion Etrangère

I

La Légion marche vers le front,
En chantant nous suivons,
Héritiers de ses traditions,
Nous sommes avec elle.

refrain

Nous sommes les hommes des troupes d'assaut,
Soldats de la vieille Légion,
Demain brandissant nos drapeaux,
En vainqueurs nous défilerons,
Nous n'avons pas seulement des armes,
Mais le diable marche avec nous,
Ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, car nos aînés de la Légion,
Se battant là-bas, nous emboîtons le pas.

II

Pour ce destin de chevalier,
Honneur, Fidélité,
Nous sommes fiers d'appartenir
Au 2ème R.E.P.

refrain

_____________________________________________________________

3eREI

Tiens, voilà du boudin, voilà du boudin, voilà du boudin
Pour les Alsaciens, les Suisses et les Lorrains,
pour les Belges y en a plus,
pour les Belges y en a plus,
ce sont des tireurs au cul.
1st sonnerie
Nous sommes des dégourdis,
Nous sommes des lascars
Des types pas ordinaires.
Nous avons souvent notre cafard,
Nous sommes des légionnaires.
1st couplet
Au Tonkin, la Légion immortelle
À Tuyen-Quang illustra notre drapeau,
Héros de Camerone et frères modèles
Dormez en paix dans vos tombeaux.
2nd sonnerie
Nos anciens ont su mourir.
Pour la gloire de la Légion.
Nous saurons bien tous périr
Suivant la tradition.
2nd couplet
Au cours de nos campagnes lointaines,
Affrontant la fièvre et le feu,
Oublions avec nos peines,
La mort qui nous oublie si peu.
Nous la Légion.
 

domingo, 17 de abril de 2016

EUA condecoram brasileiro por resgatar soldados no Afeganistão.

 

As Forças Armadas dos Estados Unidos condecoraram nesta quinta-feira com a Cruz de Serviço Distinto o sargento Felipe Pereira, de nacionalidades brasileira e americana, pelo resgate de vários companheiros em 2010 em uma emboscada no Afeganistão.
A distinção ao sargento do Exército americano premia sua “dedicação e compromisso com o dever” ao salvar a vida de dois de seus companheiros e seu “serviço distinto fundamental para uma bem-sucedida resposta de sua unidade a um ataque letal”, informaram as Forças Armadas em comunicado.
O chefe do Estado-Maior do Exército americano, general Raymond Odierno, entregou a Cruz ao sargento, que se tornou o primeiro integrante de sua divisão com esse reconhecimento. Apesar de ter sofrido ferimentos de estilhaços no pulmão, Pereira recuperou soldados feridos em uma emboscada na província de Kandahar (Afeganistão) em 1º de novembro de 2010. Na ocasião, dois soldados morreram e quatro ficaram gravemente feridos. Além disso, Pereira foi ferido no baço, no fígado e no pulmão.
“Atribui-se a ele ter salvo a vida de dois companheiros enquanto arriscava a sua em múltiplas ocasiões. Pereira não aceitou ser atendido até que todos os feridos foram evacuados”, diz um comunicado oficial das Forças Armadas. A Cruz de Serviço Distinto, um dos maiores reconhecimentos no Exército americano, é concedida por ações extraordinárias e heróicas nas operações militares em que há conflito contra os EUA ou uma força aliada, segundo dados das autoridades do país.(EFE)

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